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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

1 mês / 1 month / 1 mois



Faz 1 mês que eu to aqui. Ja vivi tanta coisa nesse mês que é dificil colocar em palavras todas as experiencias. Na minha primeira semana aqui eu definiria o intercambio como um arco iris: tem a chuva e o sol, juntos ao mesmo tempo. Mas agora acho que eu nao usaria a mesma palavra, por que a chuva ta parando e as coisas estao melhorando cada vez mais. E estou acreditando mais naquele discurso clichê: no começo as coisas sao dificeis mas depois você vai ver que é a melhor coisa da sua vida. 
Tem dias que ainda chove, mas nao tem problema. Imagine se fosse tudo perfeito, como eu ia voltar pra casa?
É muito bom aquele sentimento quando eu to voltando da escola de bicicleta, o sol ja ta se escondendo e eu estou fazendo uma coisa normal que faço todo dia, mas por algum motivo eu me sinto infinita. Por que realmente tem algo de incrivel em estar sozinha no desconhecido. E na verdade o intercambio é muito mais que isso, é viver aqui mas pensar la. É viver em dois lugares ao mesmo tempo. É perceber que na verdade, você nao é você sem eles. Aqui eu sou só um corpo com um nome no passaporte, e tenho que reconstruir tudo. Aprender a falar, conhecer pessoas e viver. Ah, viver. É tão bom viver.

Entao resumindo meu mes nas melhores coisas que aconteceram:
Conheci tanta gente maravilhosa que eu vou ter pra sempre no meu coraçao, comi macarons franceses e muito kinder e nutella, aprendi muitas palavras novas (mais do que nunca) e alem da lingua, aprendi coisas que me fazem crescer cada vez mais. 

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It's been 1 month since i got here. I already went thru so many things that it's hard to put all those experiences in words. In my first week here i would define the exchange as a rainbow: there is the rain and the sun, together at the same time. But now i think i wouldn't use the same word because the rain is leaving and things are looking brighter.  And im starting to believe in that old  speech: in the beginning things are hard but after you will see it is the best thing you've ever been thru in your whole life.  
There still are a few rainy days, but that's not a problem. If there weren't, it would be impossible to go back home.
I love that feeling that i get coming back from school by bike, the sun is already going down and im just doing something that i do everyday, but for some reason i feel infinite. Because there really is something incredible about being alone in the unknown. And actually the exchange is much more than that. It is to live here and think there. It's to live in 2 places at the same time. It's to realize that you are not really you without them. Here im just a body with a name in the passport and i must rebuild everything. I must learn how to speak, meet new people and live. Oh, live. It's so good to live.

So putting the last month in a few words:
I met so many amazing people that will always be in my heart, I ate french macarons and so much kinder and nutella, I learned so many new words (more than ever) but besides the language, i got to learn things that make me grow each and everyday.






Com amor/with love, Fabi.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Faz um tempo que eu nao apareço por aqui, entao vou contar uma historia longa:

Me localizo em um pais chamado França, onde os teclados do computador sao esquisitissimos e o "q" fica no lugar do "a", o que me faz escrever como um estrangeiro: bem devagar e sem acento nas palavras. Na verdade eu sou uma estrangeira aqui e faço isso, por que as palavras francesas tem muitos acentos e sao complicadas.

To numa cidade minuscula chamada Savenay. Desculpa mas nao sou muito boa em geografia e por isso nao posso dar as coordenadas de localizaçao (leste, sul...), mas fica pra cima e pra esquerda se voce ohar o mapa da França.

Todo mundo em Floripa me pergunta como ta aqui e eu acabo respondendo: ta legal. Mas que resposta mais ridicula! Sinceramente, essa pergunta se torna mais dificil depois de voce ter atravessado o mundo (que exagerada) pra morar na casa de alguem que voce nao conhece, aprender uma lingua que voce nao conhece, e todas as coisas existentes no mundo com "que voce nao conhece" no fim.

É dificil por que eu nao sei o que eu sinto. Talvez seja pelo choque, talvez seja vontade de
voltar pra casa. Se eu fosse dar um nome ao que estou sentindo seria anestesia.

Pode ser que eu esteja de alguma forma evitando os sentimentos, por que se eu os deixasse, tomariam conta de mim e me levaria de volta pra casa. Tomariam conta de mim toda vez que olho pra aquelas pessoas de 16 anos fumando cigarro na frente da escola e sinto falta do sorriso brasileiro, toda vez que choro quando ouço uma musica que me lembra de casa, toda vez que esta frio e chuvoso e a unica coisa que eu queria era o calor das pessoas que eu tanto amo.


Eu lembro de mim no meu quarto, quando toda noite antes de dormir pensava na ardencia do mundo la fora e nao entendia o que eu estava fazendo naquela ilha. Ainda nao entendo, na verdade nao deve ter um por que, assim como o big bang. Eu pensava em como eu estaria aproveitando mais a vida em outro lugar, explorando. E quando eu descobri que viria pra França foi um felicidade só. Meus dias finalmente virariam meus pensamentos de todas as noites e a vida durante meu ano de intercambio seria um êxtase.


Mas a verdade é que nao tem nada melhor do que:
-Ver a Lagoa da Conceiçao todo dia subindo o morro 
-Sentir a alegria no ar (sim, isso existe mas voce só percebe quando vai pra um lugar onde ninguem sorri)
-Falar com todo mundo da minha sala de aula.
-Ser chamada de Fabi pelos professores.
-Ouvir o Luari dizendo "aqui somos todos amigos historiadores" e nao "calem a boca eu sou o professor" como nesse sistema autoritario frances.

Acabei nao dizendo tudo o que eu queria, por que isso é uma tarefa bem dificil. Mas tenho mais 11 meses pra dizer bastante coisa. 

(Sou horrivel com aquele velho esquema: começo meio e fim)